Por que toda empresa será um banco até 2026?
- Publicado em: 26 novembro, 2025
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O que parecia uma hipótese futurista agora é um movimento inevitável. Com o avanço de tecnologias como o Banking as a Service (BaaS), Open Finance e Embedded Finance, empresas de todos os setores estão assumindo um novo papel no sistema financeiro. E até 2026, o mundo dos negócios será radicalmente diferente: toda empresa será, de certa forma, um banco.
Abaixo, reunimos as principais evidências dessa transformação, com base em dados da Bain & Company, Banco Central do Brasil (BCB) e Boston Consulting Group (BCG).
Embedded Finance: a nova geração de receitas
A Bain & Company aponta que o mercado de embedded finance, serviços financeiros embarcados em plataformas não bancárias via APIs, já movimentava US$ 2,6 trilhões em 2021 nos EUA. A previsão é que esse volume ultrapasse US$ 7 trilhões até 2026, representando 10% de todas as transações financeiras americanas.
Esse crescimento não é apenas de volume, mas também de rentabilidade: a receita das plataformas com serviços embutidos deve crescer de US$ 21 bilhões para US$ 51 bilhões nesse mesmo período. Em outras palavras, serviços financeiros deixaram de ser exclusividade dos bancos tradicionais.
Empresas de varejo, marketplaces, SaaS, ERPs e redes de franquias podem agora oferecer:
- Contas digitais sob sua própria marca
- Cartões físicos e virtuais
- Crédito customizado
- Split de pagamento e cobranças automatizadas
Tudo isso com integração direta à jornada do cliente, aumentando engajamento, margem e conhecimento do comportamento de consumo.
Open Finance e Regulamentação como propulsores
O Banco Central do Brasil (BCB) tem desempenhado um papel decisivo na transformação do sistema financeiro. Duas iniciativas são chaves nesse movimento:
- Open Finance
Permite o compartilhamento seguro e padronizado de dados financeiros entre instituições, abrindo caminho para:
- Personalização de produtos
- Portabilidade de serviços
- Concorrência real entre bancos, fintechs e empresas de outros setores
Essa interoperabilidade tem o objetivo de ampliar a eficiência do sistema e fortalecer o protagonismo do cliente.
Nova regulamentação de BaaS: segurança, clareza e avanço
Após a Consulta Pública nº 97, o Bacen iniciou o processo de revisão das regras que envolvem operações de BaaS/CaaS. O objetivo é garantir:
- Responsabilidades bem definidas entre instituições licenciadas e empresas ofertantes
- Proteção ao consumidor, com foco em segurança, compliance e transparência
- Previsibilidade regulatória para fomentar novos modelos sem risco jurídico
Essa nova regulamentação dará a base necessária para escalar modelos financeiros digitais com segurança e legitimidade.
O que isso significa para o mercado?
Com essas iniciativas, o Brasil constrói um ecossistema mais competitivo e inclusivo, no qual empresas de todos os setores, varejo, tecnologia, mobilidade, serviços e outros, têm respaldo para oferecer produtos financeiros integrados, com compliance e estabilidade regulatória desde o início da operação.
“O que antes era prerrogativa de bancos centrais e instituições tradicionais, hoje pode ser feito por empresas regionais com profundo conhecimento do seu público e a nossa infraestrutura tecnológica e regulatória por trás.” – Carlos Benitez, CEO da BMP
O papel do BaaS na transformação bancária
O Boston Consulting Group (BCG) ressalta que os bancos tradicionais crescem, em média, 4% ao ano, enquanto perdem espaço para empresas que usam BaaS. Em vez de competir diretamente, essas empresas passam a oferecer serviços bancários sem serem bancos.
BaaS é o modelo que permite a qualquer empresa integrar soluções bancárias via API, com apoio de um banco licenciado. Isso acelera a entrada no mercado financeiro, reduz custos e permite criação de novos modelos de receita.
Segundo o BCG, até 2026 veremos:
- Convergência entre tecnologia e finanças
- Bancos atuando como infraestrutura de serviços
- Empresas oferecendo experiências financeiras completas aos seus clientes
A descentralização criou um vácuo e o BaaS está preenchendo
Com a diminuição de agências físicas e a centralização dos bancos nacionais, muitos segmentos e regiões ficaram sem serviços financeiros adequados:
- Pequenas e médias empresas (PMEs) passaram a ser tratadas com modelos padronizados que não refletem sua realidade
- Cadeias produtivas locais, indústrias regionais e nichos específicos ficaram fora do radar dos bancos
- A perda do contato humano eliminou o conhecimento qualitativo sobre o cliente
Essa distância operacional criou um vazio que está sendo preenchido por um novo tipo de ecossistema: empresas que conhecem seus mercados e que, com a infraestrutura do BaaS, conseguem operar produtos financeiros sob medida, mesmo sem serem bancos.
Ecossistemas financeiros locais com infraestrutura digital
Empresas regionais, como securitizadoras, varejistas, operadores de FIDC e fintechs verticais, estão ocupando esse espaço e distribuindo crédito, operando contas, conectando dados de recebíveis e estruturando carteiras especializadas. O segredo? Elas:
- Entendem o comportamento do cliente
- Já têm uma relação de confiança construída
- Usam o BaaS para personalizar produtos com base em dados reais
“Quando quem distribui o crédito é a empresa que já conhece o cliente, o risco é menor, a experiência é melhor, e a fidelização aumenta. É isso que o BaaS proporciona: proximidade com infraestrutura regulada.” – Carlos Benitez, CEO da BMP
O futuro é regional, digital e integrado
A combinação de:
- Dados do Open Finance
- Infraestrutura digital via BaaS
- Empresas locais com relação direta com o cliente
é o que forma o novo sistema financeiro descentralizado, personalizado e escalável.
Bancos tradicionais seguirão existindo, mas como infraestrutura e não como protagonistas na distribuição. O protagonismo passa a ser de quem está mais próximo do cliente.
Motivações comerciais para se tornar um banco (sem ser banco)
Por que tantas empresas estão seguindo esse caminho? Aqui estão os principais motivos comerciais:
- Diversificação de receita
- Tarifas, juros, cashback e parcerias geram receita recorrente
- Reduz dependência de modelos tradicionais de venda
- Engajamento e fidelização
- Produtos financeiros aumentam o tempo de permanência
- Criam barreiras de saída e elevam o LTV (valor do cliente no tempo)
- Expansão de mercado e inclusão
- Atende desbancarizados e PMEs negligenciadas
- Amplia a base de clientes com serviços acessíveis
- Uso de dados e personalização
- Controle sobre dados transacionais permite ofertas mais inteligentes
- Decisões de crédito e pricing baseadas em comportamento real
- Inovação com agilidade
- Lânçamento rápido de produtos via APIs
- Testes e ajustes com base em dados em tempo real
- Redução de intermediários
- Menos custos bancários e de aquisição
- Mais controle sobre a jornada financeira do cliente
- Acesso a novos mercados
- Integração com telecom, e-commerce, ERPs, marketplaces
- Expansão de ecossistemas sem abrir filiais ou novas linhas de negócio
- Ambiente regulatório favorável
- Open Finance, sandbox e infraestrutura como serviço facilitam a entrada
- O Banco Central é agente facilitador da inovação
Conclusão: O futuro não é bancário, é financeiro
A tese de que “toda empresa será um banco” não significa que todas vão disputar o lugar dos bancos. Significa que qualquer empresa pode ser um provedor de experiências financeiras integradas, sob sua marca, com controle sobre dados, receita e relação com o cliente.
Para isso, contar com um parceiro que entenda esse cenário é decisivo para obter grandes resultados nos negócios, afinal, o futuro já está aqui. A pergunta é: sua empresa está pronta para viver esse momento e liderar essa nova era do mercado financeiro?
